domingo, 22 de maio de 2016

SIMPOSIO NACIONAL E PEREGRINAÇAO 2016




 
 
No sábado, dia 21 de maio, aconteceu em Aparecida do Norte, o 6º Simpósio Nacional das Famílias. Vamos acompanhar as principais conferências e testemunhos deste dia de formação e partilha.

 

A VIDA NASCENTE PEDE MISERICÓRDIA, com Padre Hélio Luciano

Vamos começar nosso encontro falando sobre a defesa da vida. Primeiro, uma provocação. Na vida eterna com Cristo, teremos corpo material ou seremos apenas espírito? No Credo, rezamos: Creio na ressurreição da carne... então... teremos corpo, sim. Muita gente não tem consciência disso. É necessário termos boa formação. Qual a nossa missão como Pastoral Familiar na defesa da vida? Existem pessoas morrendo e pessoas morrendo por falta de atenção nossa. Existem mulheres sofrendo o drama do aborto por falta de atenção nossa também. As mulheres que abortam sabem que esse é um gesto horrível, mas no meio do seu desespero, ela pode não encontrar ninguém que a mostre uma outra solução.

Estamos no ano da Misericórdia. Apenas sentimos pena ou nos mobilizamos, doamos a vida para tirar o irmão das suas misérias¿ a miséria do outro deve estar no meu coração e eu devo me sentir responsável por ele. Num nível bem mais elevado, recordamos Deus que é a mais pura misericórdia. Por mérito próprio, não merecemos nada. Não mereceríamos nem ter sido criados. Mas Deus quer dividir tudo o que é e que possui conosco, por amor. Não conseguiremos ser perfeitos como Ele, mas somos convocados a darmos o nosso melhor.

Não adianta acusar. Esta é a atitude de Deus e não de Cristo. E a atitude do cristão deve ser a de entrar no problema da pessoa, sofrer com ela e resgata-la.

Sabemos que existem pessoas e organizações nacionais e internacionais empenhadíssimas em legalizar o aborto no Brasil. Superdimensionam os problemas para tentar convencer autoridades e a sociedade. Mas do outro lado, os defensores da vida caem no mesmo erro, muitas e muitas vezes. Um exemplo disso é, por exemplo, usar fotos de bebes abortados para chocar os outros. Ora, são fotos de seres humanos mortos. Não temos o direito de manipula-los.

Uma vertente deve ser a defesa macro da vida, acompanhando as leis que cuidam da vida e da família. Uma estratégia muito comum é dizer que o aborto é um problema de saúde publica, alegando que 200 mil mulheres morrem por ano em decorrência de abortos clandestinos. Esses dados são absurdamente falsos. O DATA SUS por exemplo divulgou no ano de 2010 que 66 mil mulheres em idade fértil morreram das mais diversas causas.

Vejam as manipulações sentimentais como no caso da mulher que sofre por saber que esta gravida de um filho deficiente. Ora, deve, então, sofrer duplamente por ainda carregar a culpa de ger matado seu próprio filho¿ a anencefalia, por exemplo, é uma deficiência que pode ser evitada com ingestão de ácido fólico no período pre Natal.

Não nos preocupa a opinião pública. O que nos interessa são as pessoas reais. O bebe não nascido, a mulher que sofre... o que temos feito Lara ajudar de forma concreta as pessoas concretas¿

Em poucas ocasiões na sua vida pública Jesus estava com as multidões. Ele queria o contato um a um, pessoa a pessoa. Exemplos clássicos são o encontro de Jesus com a Samaritana ou a adúltera que estava para ser apedrejado, ou com Zaqueu... O nível macro é importante, mas não podemos esquecer das pessoas reais e concretas. Conversar com elas, nos interessarmos por sua vida e seu sofrimento. Ainda que tivéssemos leis perfeitas para o aborto, isso não evitaria que pessoas abortassem e nem que sofressem profundamente com isso, as vezes para a vida toda.

Não sejamos ingénuos no nível macro, mas também não sejamos insensíveis no nível de cada pessoa humana. Não há machismo maior que o aborto, porque só quem se livra nessa situação é o homem. A criança para com a própria vida e a mulher sofrerá com a dor de ter mantado o próprio filho.

A defesa da vida envolve tempo, energias, dinheiro. Ou ficamos apenas no nível superficial da compaixão ou entramos profundo na verdadeira misericórdia.

Já há filósofos e sociólogos estudando o fenômeno bipolaridade ideológica especialmente nas redes sociais em que pessoas só se agridem. Essa não é uma boa estratégia. Devemos sair daqui hoje com um projeto concreto de ajuda às mulheres que pensam em abortar ou abortaram.

 

 

O AMOR NA FAMÍLIA, com Dom João Bosco

 

A culminância do caminho sinodal e dos muitos caminhos que envolvem a família no mundo estão resumidos na exortação Amoris Laetitia. Há pouco mais de um mês a conhecemos, portanto, sempre há algo novo a descobrir, lendo e relendo o documento. É pouco tempo não só para conhecer mas para colocar em pratica toda essa riqueza. Como o próprio papa pede para evitar interpretações superficiais ou errôneas. Se isso acontece, uns aplaudem e outros criticam e acabamos vivendo esse ódio de lados opostos que o padre Luciano mencionou, por quem pensa diferente de mim.

O documento é grande pela extensão e grandioso por sua proposta realmente inovadora, que é a cara do papa Francisco. Sem fazer mudança na doutrina da Igreja e nem mesmo em praticas pastorais, tem feito muitas mudanças, especialmente no modo do mundo ver a Igreja. O texto vem carregado da sua alegria, falando de modo positivo, esperançoso e misericordioso do amor de Deus derramado nas famílias.

Na Evangelii Gaudium, o papa já alertava que não fosse um documento para ir para gaveta, mas um programa de vida e de pastoral. A Amoris Laetitia vem neste mesmo sentido. Para compreender seu conteúdo melhor o papa enviou previamente um bilhete aos bispos, pedindo que, para aproveita-lo melhor relessem antes a Gaudium et spes do Concílio Vaticano II, a Humanae Vitae, a Familiaris Consortio. Sem que nenhuma dessas fontes seja ultrapassada ou substituída, a Amoris Laetitia vem para enriquecer e atualizar a ação misericordiosa da Igreja sobre a família atual. Cuidado com a mídia que distorce tantos fatos. Com seu jeito, papa Francisco consegue sabotar a imagem caricaturada que a mídia que fazer da Igreja.

Não é um documento de chegada, mas de partida, da Igreja em saída. Responde abrindo horizontes e não fechando, sem normativas, mas pedindo delicadeza e discernimento e sobretudo uma visão positiva da família, redescobrindo a alegria do amor.

Mas não podemos ver isto de forma simplória. Se consideramos que Deus é amor e que tudo na nossa vida depende do amor, é necessário conhecer muito do amor verdadeiro.

Vou mencionar apenas dez pontos. É pouco mas deve nos instigar a irmos a fonte. O papa parte de Palavra de Deus, do salmo 127 numa linda exegese, indo depois para o Gênesis com sua beleza e seus dramas. Fala também de I Cor 13, esmiuçando cada característica do amor.

1- Caridade conjugal

2-  O amor é um caminhar que deve olhar sempre para o futuro. Não nasce perfeito, mas pode ir crescendo com um apoiando o outro.

 3- Amizade na família – depois de Deus nossa família é o nosso maior amor, incluindo respeito, sexualidade, paixão, intimidade, ternura, estabilidade, reciprocidade... amor que precisa ser cultivado a cada dia.

4- Amor conjugal que é de exclusividade indissolúvel – quem ama de fato encara o desafio do amor ser eterno

5- A alegria é a marca do amor – não pode ser obsessiva e nem ligada a determinadas coisas, mas a vida familiar como um todo. Combina satisfação e fadiga, tensão e repouso, aborrecimentos e prazeres. Cultivar a verdadeira beleza, dos olhos que veem com amor, que vê a grandeza de um ser humano que está diante de mim e me leva a buscar o seu bem, mais até do que o meu próprio. Daí vem as verdadeiras alegrias.

6- O casamento não só um papel assinado, nem uma cerimônia. Mas mostra a seriedade da identificação com o outro, mostra publicamente a maturidade, que está disposto a crescer. O matrimônio tem um papel social da missão do amor na sociedade. É tão importante que vale a pena assumir o risco e, por isso, mesmo deve ser bem ponderado, mas sem ser adiado indefinidamente.

7- O capítulo sobre o diálogo é muito lindo no documento. Daria por si só um livro. Como é preciso saber usar bem essa ferramenta fundamental. Precisa ser sempre exercitado, especialmente neste mundo tão turbulento em que vivemos.

8- A sexualidade e as emoções precisam ser bem aprendidas e vividas. O papa recorda que e a Igreja sempre foi criticada por sufocar as paixões, por proibir e condenar. Deus ama a alegria dos seus filhos. Nesta parte, recorda seu antecessor, Bento XVI, na Deus Caritas Est. O que prejudica não é o prazer, mas quando o prazer se torna um Deus e faz com que eu veja as pessoas como objetos. Se forem orientadas sempre para um projeto de autodoação, virá a felicidade plena.

9- A vida está cada vez mais longa graças ao avanço das tecnologias e da qualidade de vida. É preciso esforço redobrado para manter o amor por muitos e muitos anos. É um ícone da fidelidade de Deus que dura toda a eternidade. Mesmo que o corpo e a mente feneçam o amor pode ser cultivado.

10- Espiritualidade familiar que tem sua fonte no mistério da Trindade. Na unicidade e diversidade da família é que se encontra a imagem mais perfeita de Deus.

 

Viver a cada dia este amor concreto e real é a missão de cada família.

 

O AMOR NA FAMÍLIA: CAP. IV e VIII, com Dom Wilson

 

O Papa não trouxe nenhuma mudança radical com a exortação pos sinodal. Mas, ao mesmo tempo ele procurou não deixar nada de fora deste documento. Além disso, os temas abordados dizem respeito à realidade das famílias. Pastoralmente, sua preocupação se manteve na forma de agir e ajudar às famílias, abordando questões do dia a dia e de espiritualidade.

Para lermos o documento, o Papa aponta alguns princípios:

1)      A inclusão. Ninguém deve ficar de fora. TODOS devem estar inseridos.

2)      A Misericordia, que também devemos aprender a vivenciar.

3)      A Gradualidade. Não se trata de enfraquecer a norma, mas de ir adquirindo-a aos poucos.

4)      A alegria que já foi mencionada na reflexão  anterior

5)      O cuidado com o outro, o que, na vida familiar, é fundamental

6)      Discernimento. As palavras chaves da Amoris Laetitia são discernir, acompanhar e integrar. Em muitas situações é preciso discernir caso a caso.

7)      Norma e situação concreta. É preciso haver uma interpretação e nem sempre a norma pode ser o primeiro princípio, mas sim a caridade

8)      Evitar a rigidez, mas também não cair no relativismo. É preciso buscar o equilíbrio.

9)      Colegialidade. O papa quis a opinião da Igreja toda e sempre quer convocar os bispos para conversarem juntos. Esse princípio é bem claro.

10)   Conversão pessoal e pastoral

11)   Via Caritatis, ou seja, o caminho da caridade.

12)   Ética sexual diante de tudo o que se induz no mundo de hoje

13)   Valorização do subjetivo, respeitar a forma como a pessoa entende a norma, ainda que precise ser corrigida e orientada. O caminho novo pode começar a partir daí.

14)   A misericórdia excede a justiça.

 

O documento dá forma externa ao foro interno. Este último pode ser o ponto de partida de um processo de conversão. Vale aprofundar a questão da caridade anteceder a norma, olhar a lei natural também como critério.

É preciso pensar no tempo, no processo, na situação em que cada pessoa se encontra. E quando falamos de espaço, nos referimos a domínios de situações.

O documento trás varias situações de São Tomás de Aquino, que define muito bem os sentimentos e analisa o ser humano profundamente.

O documento explica que nem todos os que estão numa segunda união estão necessariamente em pecado, pois é preciso avaliar a vida matrimonial de cada casal.

Nos n. 250 e 251 o documento é bem claro ao afirmar que as pessoas com tendências homossexuais devem ser respeitadas e acolhidas, e que não há como se comparar à união do homem e da mulher.

Reafirma a doutrina sobre o mal intrínseco da contracepção, e fala da ajuda aos casos dos matrimônios mistos e das famílias monoparentais.

No capítulo VIII vemos as sugestões pastorais para as pessoas feridas pelo divórcio e que estão em uma segunda união.

Não julgar nem aplicar diretamente a norma, acolher, acompanhar, incluir. Buscar na vida das próprias pessoas os elementos que favorecem seu crescimento espiritual. Receber o que há de bom em uma vida aparentemente toda irregular. Perceber situações culturais que podem influenciar os casais também.

O papa fala que a igreja tem duas lógicas. Uma é a de marginalizar o pecador e fazer julgamentos negativos, separando certas pessoas. Ou podemos ter a lógica da inclusão, chegando até a pessoa ferida e trazendo-a para perto, para cuidar dela. Esse é o caminho que devemos sempre trilhar. O caminho da misericórdia.

A nossa ajuda é exatamente a de auxiliar a própria pessoa ferida a reencontrar seu caminho na igreja. Que ninguém seja condenado para sempre. Aqui entre o discernimento. Que não se trata absolutamente de abrir exceções ao bel prazer. Há critérios importante, sem dúvida, como o de não causar escândalo a comunidade, por exemplo. A lógica da integração é a chave do discernimento pastoral e de se conhecer situações atenuantes.

Deve-se, ainda, estimular todos os casais a que sejam bons exemplos para os jovens, mesmo entre os casais em uma segunda união.

Sabemos de todas as dificuldades mas não devemos propor nada menos do que um ideal pleno. Não existem famílias perfeitas, mas existe um modelo perfeito de família. Não podemos ser simplesmente uma pastoral de administração de fracassos, mas de promoção de famílias cristãs fortes para que essas situações de sofrimento possam ir diminuindo cada vez mais. Esse tipo de testemunho é fundamental para os jovens.

Não imponhamos condições á misericórdia, que não exclui nem a justiça, nem a verdade. Devemos sempre ter a esperança de que a pessoa pode mudar, pode melhorar. Trilhemos este caminho na nossa forma de fazer Pastoral Familiar.
 
Na parte da tarde, a programação teve, ainda, diversos testemunhos de iniciativas frutíferas em favor da defesa da vida humana. E o encerramento no sábado foi com o Santo terço, missa e procissão.
No domingo, dia 22, todas as missas do Santuário foram em intenção à união e santificação das famílias.

domingo, 15 de maio de 2016

FORMAÇÃO SOBRE A AMORIS LAETITIA

Registros da formação do sábado, 14 de maio, promovida pela Pastoral Familiar, na sede da Arquidiocese, o Edifício João Paulo II, na Glória. O tema não poderia ser outro: a Exortação Apostólica Amoris Laetitia. Na primeira parte, Dom Antonio Augusto deu um panorama geral sobre o documento e, após o intervalo, focou no capítulo 08, que trata dos casos que precisam de acompanhamento personalizado. Além da Arquidiocese do Rio de Janeiro, o evento recebeu também a Comissão de Pastoral Familiar do Leste I.




domingo, 8 de maio de 2016

FELIZ DIA DAS MÃES

A Pastoral Familiar da Arquidiocese do Rio de Janeiro deseja um feliz e abençoado DIA DAS MÃES àquelas que são um raio da luz de Deus em nossas vidas! A vocês, a nossa oração e a nossa sincera homenagem. Seja Maria, Mãe de Deus e nossa, seu modelo e seu guia na caminhada!


segunda-feira, 4 de abril de 2016

"Amoris laetitia": Exortação do Papa será publicada em 8 de abril


Cidade do Vaticano (RV) - “Amoris laetitia” (Sobre o amor na família) é o título da Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a família do Papa Francisco.
O texto será publicado na sexta-feira, 8 de abril, e estará disponível em seis línguas, entre as quais o português. A Exortação será apresentada aos jornalistas na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, Card. Lorenzo Baldisseri, e pelo Arcebispo de Viena (Áustria), Card. Christoph Schönborn.
Também participa da coletiva um casal italiano de professores, docentes de Filosofia: Prof. Francesco Miano, que leciona na Universidade de Roma Tor Vergata e a Professora Giuseppina De Simone, da Faculdade Teológica de Nápoles.
A coletiva poderá ser acompanhada ao vivo no Vatican Player da Rádio Vaticano, onde permanecerá disponível também on demand.
A Exortação Apostólica “Amoris laetitia” será publicada quase seis meses após a conclusão do Sínodo Ordinário sobre a Família convocado pelo Papa Francisco em outubro passado. Um ano antes, em 2014, o Pontífice convocou um Sínodo Extraordinário sobre o mesmo tema.
Depois de dois anos de intenso trabalho dos bispos que participaram dos dois Sínodos, o texto do Papa Francisco é aguardado pelas dioceses do mundo inteiro por oferecer diretrizes e linhas de ação sobre temas práticos que dizem respeito à família.

(Fonte: Rádio vaticana Brasil)

domingo, 17 de janeiro de 2016

BODAS DE CANÁ

Mais uma vez o Domingo chega até nós para desposar-nos com o Senhor de todos os tempos. Nesse domingo, o 2o do Tempo Comum,  como toda Eucaristia dominical, o Cristo nos desposa com a força da sua Palavra manifestando para toda a sua igreja, isto é, para todos nós, o seu amor esponsal, amor que deve ser expressado entre os esposos. Em outras palavras: amor como doação de vida. É esse amor esponsal que encontramos na primeira leitura do profeta Isaías. Depois de ter sido explorada por diversos povos estrangeiros a quem Israel se "prostituiu" com a sua idolatria, foi devastada e abandonada por causa das suas próprias iniquidades. Abandonando o seu Senhor, Israel foi "abandonada" por "seus senhores". Fora de Deus não há alegria. 
No entanto, YWHW, fiel à sua aliança, não abandona o seu povo "porque eterno é o seu amor e somente Ele é quem fez e faz grandes maravilhas" (cf. Sl 135,4). O Senhor no oráculo isaiano da liturgia de hoje expressa seu amor nupcial por Israel, vinha eleita e desejada por Ele desde toda eternidade. Deus mesmo vestirá seu povo qual noiva com "vestes de justiça e de salvação" (Is 61,10). Do mesmo modo como a noiva é alegria do seu noivo, Israel será alegria do seu Deus, (Is 62,5) seu verdadeiro noivo capaz de desposá-la incutindo no coração de todos os israelitas aquela alegria que é fruto do Espírito Santo (Gl 5). Afinal, fora de Deus não há alegria, há apenas ilusões. É dentro desse contexto que se insere o nosso texto evangélico de João. Iludidos com as miragens produzidas por nós mesmos, não conseguimos dar conta de situações que são de nossas responsabilidades tentados a fazer tudo independentes de Deus como Adão e Eva. 
Na perícope evangélica de hoje, o santo apóstolo nos apresenta Jesus, sua mãe e seus discípulos recém "introduzidos" na vida do Messias (Jo 1,37ss) participando de um grande festim, ou seja, um casamento, cenário onde a alegria deve ser o "oxigênio" de todos os que ali estão. Cientes também que um casamento no judaísmo ortodoxo tem a duração de uma semana e a organização deste evento é de suma responsabilidade do noivo que não poderá deixar faltar o elemento importante desse cenário evangélico: o vinho, que é muito consumido pelos convivas. Tão caro para a teologia bíblica, o vinho, "que alegra o coração do homem" (Sl 104,115) e elemento curativo para as feridas do pobre assaltado e resgatado pelo samaritano (Lc 10,34), foi exatamente o que faltou naquele casamento. Assim, a alegria cede espaço à tristeza e à preocupação. O noivo certamente deve ter ficado muito embaraçado com essa situação que lhe causaria grande constrangimento diante da comunidade judaica. Todavia, o que importa é que o Emanuel está presente. Deus está ali. E a presença da Virgem, chamada e recordada pelo seu Filho como "mulher", como verdadeira "mãe de todos os viventes" e para nós prefiguração da Igreja, intercede pelos pobres noivos, cujos corações se angustiavam. Alguns presentes assistem os primeiros sinais messiânicos acontecerem, os primeiros sinais da sua glória. Gloria que sera melhor revelada na cruz com o derramamento do melhor vinho. É importante estar diante dos nossos olhos que inicialmente o evangelista deixa claro que "no terceiro dia" após o encontro com Felipe e Natanael encerra-se em Caná a primeira semana de atividade messiânica. É em Caná, a prefiguração do locus eucarístico, que Cristo se revela como o nosso verdadeiro "nupsion" (transliterado = "noivo"); não apenas de Israel, mas do novo povo que é a Igreja. Mistericamente, Cristo nos toma e nos desposa em sua cruz como o verdadeiro lugar nupcial. Ali nos adorna com suas jóias e com vestes de justiça e salvação (Is 61,10s). Neste leito nupcial que é a cruz, Cristo nos oferece o melhor vinho que é o seu sangue. Com esse vinho melhor Ele cura as feridas da nossa alma e concede alegria ao nosso coração que triste estava. Hoje nossas igrejas se tornam como aquele lugar. 
Caná, hoje é cada paróquia onde Deus realiza seus sinais de glória através dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia. Caná devem ser os nossos corações onde Deus transforma o luto em alegria. Em Caná, Jesus não se apresenta como um convidado qualquer, mas como o verdadeiro noivo de nossas vidas fazendo transbordar em nós dons e carismas através do seu Espírito na luta contra todo o individualismo e indiferença (2a leitura). Olhemos para a Virgem que se incomdou com a tristeza que tomaria conta de todo aquele lugar. Tudo isso porque fora de Deus não há alegria. Deixemos que a nossa vida seja como o cenário evangélico deste domingo, um lugar que tendo a presença de Cristo tudo que é velho se faz novo, se faz "eucaristia", onde tudo é ação de graças.
Peça sempre a Jesus esse vinho novo para sua vida, seu matrimônio e sua família!

domingo, 27 de dezembro de 2015

Solenidade da Sagrada Família



A Pastoral Familiar do Rio de Janeiro deseja a todos votos de um Santo Natal e um ano de 2016 abençoado! Que a Sagrada Família de Nazaré, cujo dia celebramos, seja sempre nosso modelo e guia na busca da união e santificação das nossas famílias!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

CASAMENTO COMUNITÁRIO NA CATEDRAL



Aproximadamente 230 casais terão a oportunidade de dizerem o ‘sim’ em um casamento celebrado pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, no dia 5 de dezembro, na Catedral Metropolitana. É a primeira vez que acontece um casamento comunitário em nível arquidiocesano no Rio e com um grupo tão grande de casais. A média em geral é de até 40. 
O projeto, chamado "Dia do Sim", faz parte de uma parceria da Arquidiocese do Rio com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj). O objetivo é regularizar, de forma gratuita, a situação civil e religiosa de casais que já vivem juntos. Segundo a coordenadora da ação, juíza Raquel de Oliveira, da 6ª Vara Cível do Fórum de Jacarepaguá, o intuito é dar continuidade à parceria com a arquidiocese e promover mais casamentos comunitários abrangendo as duas instâncias. Foi ela quem, em nome do TJ-RJ, procurou o bispo auxiliar Dom Paulo Cezar Costa para propor o projeto. 
Apesar de o Tribunal já fazer o casamento civil, percebeu-se que muitas pessoas tinham o sonho de se casar na Igreja. "É uma forma de proporcionar às pessoas a plena cidadania. A demanda é grande, e queremos ajudá-las. É uma dívida do Estado e da Igreja para com elas", afirmou a juíza. Para o bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio Dom Paulo Cezar Costa, que organiza a parte religiosa, esta ação fortalece a instituição familiar em uma sociedade que passa por uma crise de valores. "Uma união sem o matrimônio civil e religioso forma um laço frágil entre um homem e uma mulher. Quando essa união tem uma legalidade diante da lei e é um sacramento diante de Deus, ela se torna mais consistente para os cônjuges e para os filhos. A família é uma instituição fundamental para a sociedade", comentou o bispo. 

 Preparação 
Ao longo deste ano, cerca de 40 juízes atenderam aos casais para a conversão da união estável em casamento civil. Nesse processo, é garantido aos cônjuges que a data oficial do casório, impressa na certidão, seja a mesma do início da convivência. A certidão será entregue no dia do matrimônio religioso. “Com esse casamento, a Igreja favorece o amor do casal, a importância da família e a vivência da fé em todas as dimensões, principalmente na dimensão conjugal. Eu tenho encontrado, nas entrevistas que tenho feito, casais de fé que não se casaram principalmente por dois motivos: quando jovens não podiam pagar e agora têm vergonha de contar ao pároco que não são casados. 
Para se ter uma ideia, o casal mais velho que temos é de um senhor de 84 anos com uma senhora de 64”, afirmou o coordenador arquidiocesano de pastoral, monsenhor Joel Portella Amado, um dos organizadores. “A maioria das pessoas tem o sonho do casamento religioso. E para muitas esse sonho é bloqueado porque eles acham que casar na Igreja é caro. O que não é uma realidade”, concluiu. 
No dia 14 de novembro, houve um encontro de preparação para que os casais pudessem entender a dinâmica do casamento comunitário, que é diferente de quando é feita com apenas um casal. Nesse dia haverá grupo de oração para preparo espiritual e um bazar: uma sala com todos os tipos de itens de vestuário utilizados em casamentos, alguns doados e outros que serão vendidos por lojas parceiras a um preço mais acessível. Segundo monsenhor Joel, igrejas do Brasil inteiro estão sendo mobilizadas para o envio dos documentos necessários. E algumas das pessoas ainda não se casaram porque são imigrantes. “São tantas histórias bonitas que ouvimos nas entrevistas que às vezes dá vontade de ficar só contemplando a história. E é um trabalho interessante porque estamos mobilizando muita gente por um único objetivo: facilitar essas uniões”, pontuou o sacerdote. 


( Fonte: Jornal O Testemunho de Fé, pág. 7)