domingo, 15 de junho de 2014

RETIRO DA PASTORAL FAMILIAR 2014 (2)

Momentos de oração, reflexão, partilha, a Santa Eucaristia... Continue acompanhando o nosso retiro da Pastoral Familiar 2014, conduzido por Dom Antônio Augusto.


 

3ª Meditação – A Glória de Deus

“Dois silêncios que mudaram o mundo“: Este é o título de um livro muito interessante que li e que falava de José e Maria. José, num momento de silêncio, enquanto dormia, recebeu uma revelação divina pelo Arcanjo Gabriel. Nesta revelação ele descobriu sua identidade: era esposo de Maria. E depois tomou consciência da sua missão: dar o nome do menino que dela nasceria de jesus. Para o homem bíblico dar o nome significa tomar responsabilidade sobre a pessoa nomeada. E quando acordou, diz a Palavra, fez como o anjo havia dito. E ele cumpriu muito bem sua identidade e sua missão. Nenhuma palavra sequer de José é dita na Bíblia. Quando ele começou a perceber o os sinais de maternidade em Nossa Senhora, nada perguntou. Ficou em silêncio.

E Maria, o segundo silêncio, vendo e percebendo o conflito interior do seu esposo não perguntou nada. Até que o próprio corpo denunciou a maternidade. Ela nada disse. José nada perguntou. E o maior acontecimento da humanidade estava acontecendo. Suas atitudes nos ajudam a compreender o valor do silêncio. Maria sofreu com o silêncio de José. José sofria por não compreender a maternidade de Maria. Os dois silêncios humanos que acompanharam o grande silêncio de Deus. Deus atua na história da humanidade e deixa tudo sob o silêncio do seu mistério. Deus está silencioso, por exemplo, no mistério da Eucaristia, em sua humanidade e sua divindade. Deus nos acompanha e nos ouve neste retiro, em silêncio. Ele vai se comunicando de um modo divino.

Vamos nos perguntar: por que eu existo? Cada um de nós tem uma identidade e uma missão. Cada pai e mãe cuidam de uma vida para prepara-la para a Vida. Quem é este que tem uma participação tão especial na minha história a ponto de se tornar meu esposo/ esposa? É um mistério de fé.

Aqueles dois jovens, certamente, conversavam sobre muitas coisas, mas diante de um grande mistério se calaram. Nazaré era um lugar de má fama e foi exatamente ali que Deus foi buscar a mãe de seu filho. Foi ali que escolheu um carpinteiro para ser o guardião da sua família. Maria não se preocupou em manter sua “boa fama”. Deus a escolheu, realizou sua obra misteriosa pelo Espírito Santo e José teve um pensamento que mostrava toda a sua maturidade: ele preferiu abandonar Maria, para que, se alguém tivesse que sair sem glória, que fosse ele. Afinal, ambos só viviam para a glória de Deus. No silêncio e anonimato das suas vidas, não colocaram uma placa na porta de casa, dizendo: “Aqui mora Deus!”.

Eu vivo para a Glória de Deus. Essa é a razão da minha existência. O sentido da minha vida não é ser bem visto ou compreendido pelas pessoas, não é ser valorizado, nem ouvido, nem rico ou famoso, mas é manifestar Deus através da minha vida, do meu trabalho. Jamais esconder Deus. Enquanto sigo o caminho contrário, a vida não é vida verdadeira. Não encontramos respostas às nossas perguntas.

O universo inteiro revela Deus. Desde os átomos e vírus vemos tanta perfeição, harmonia e beleza. Por isso, diz a Palavra: “Só um tolo não conhece a Deus através da criação!”. A criação grita que Deus existe. Deus não precisa de glória, de reconhecimento... a palavra glória significa manifestação. Deus se revela para nós: sua bondade, beleza, amor. Essa é a glória íntima de Deus que ele quis exteriorizar. Esta é a razão da razão. Ele quista compartilhar sua glória com as suas criaturas. E nós somos a criatura que mais manifesta a glória divina. E muitas vezes roubamos a glória de Deus. Nós que somos imagem e semelhança de Deus, queremos ser “deus” sem Deus. E daí vieram todas as consequências do pecado original, o campo do orgulho e da soberba, que nos acompanham 24 horas por dia. Eles nos acompanham em frases que jamais deveríamos pronunciar, do tipo: “Você sabe com quem está falando?”. Não admitimos nossos erros, quando somos corrigidos ou criticados... são sempre os outros que estão errados. Nós somos quase que geneticamente soberbos e orgulhosos, procuramos a nossa glória pessoal e nos afastamos da vida verdadeira que é viver ao lado de Deus.

Trouxe aqui um livro que foi inspirado nesta casa de retiro do Sumaré onde este retiro acontece. Todos os anos acontece o retiro de formação para os bispos. Há alguns anos atrás, dom Orani sugeriu que um bispo de uma diocese no interior do Paraná, escreveu um livro chamado “50 Histórias de Conversão ao Catolicismo”, baseado em sua experiência pastoral de publicar essas histórias no boletim da sua diocese.

Neste momento, Dom Antonio leu duas destas histórias. Foram artistas de cinema que se converteram. Um deles já tinha inclusive ganho um prêmio Oscar pelo filme a Pote do Rio Kwait, e em 1995 fez o filme “O Prisioneiro” em que era um ladrão de um bispo Húngaro. Teve, assim, certo contato com a religião. Depois fez um outro filme em que interpretava um padre. Num intervalo rápido das filmagens resolveu passear sem tirar a batina. Um menino de nove anos, o encontrou e pediu: Padre, em dá uma bênção?”  e pensou: “Isto é religião.”. Alguns anos se passaram e ele foi vendo como sua vida de sucesso e fama não era nada sem Deus. Antes de morrer, ligou para Franco Zefirelli e disse que sabia que sua hora de deixar o mundo se aproximava e tinha muita pena do mundo infame, ou seja, sem fama. Constatou que tantos querem ser adorados por Deus.

Aos 45 anos deixou Hollywood, Dolores Heart, que fez muitos filmes com Elvis Prelsey, e foi para um convento beneditino contemplativo. Não foi algo repentino. Ela já vivia o catolicismo. Nos intervalos das gravações, ela conversava sobre a fé e a religião com os artistas. Elvis perguntava se ela tinha lido a Bíblia e perguntava se teria uma Bíblia em mãos. E eles a liam juntos. E ainda acrescentava, pedindo que ele cantasse músicas inspiradas nos Salmos. Eram para ele cantos de profunda devoção.  Ao ser perguntada como um artista de cinema abandona tudo para ser uma monja de clausura, ela responde que foi um processo gradual e difícil, mas que sua nova vida foi sua melhor escolha. Ela sentia-se cansada e foi visitar o mosteiro para descansar. Logo percebeu que era aquilo que Deus esperava dela. Era exatamente o oposto de tudo o que ela vivia: uma vida na estabilidade de ânimo, enquanto ela tinha uma vida de altos e baixos. Faltava-me essa estabilidade. Não por que era bipolar, mas porque era vaidosa. Faltava-me Deus, constatou ela.

Quando damos glória a Deus os nossos talentos vão se multiplicando e as pessoas nos elogiam e valorizam... não sejamos ingênuos. As mesmas vozes que gritam: “Hosana, hosana”, vão gritar depois: “Crucifica-o, crucifica-o”. A glória humana dura o tempo dos fogos de artifício. Depois vem a escuridão e cheiro da pólvora. Dora o tempo de uma interjeição: Ooohhh!.

Por isso, o papa João Paulo II costumava escrever nos seus documentos: “Para Deus toda a Glória”. Sua glória era toda para Deus. Assim como ele, tantas outras pessoas. Devemos nos questionar: quais são minhas intenções? O que procuro? O que está atrás dos meus esforços? O papa Francisco questionava recentemente bispos e sacerdotes do mundo inteiro: “Onde vocês estão no final do dia? Diante de Deus ou diante da tela do computador?”. Tudo o que fizermos deve ser para a glória de Deus. Como dizia Santo Agostinho, como seria triste percebermos que corremos muito, mas fora do caminho...

Na missa dos defuntos se reza: descanse em paz. O que cansa é corrermos atrás da glória pessoal. E aos mortos se dia: Descanse em paz. Que possamos com nossa vida e com nossa morte, como Jesus, glorificarmos a Deus. Na hora da morte, Jesus não pensa em si mesmo, não fala de si, não faz referência a si mesmo. Pensa na mãe, no discípulo, no ladrão, nos que o insultavam e matavam... Jesus não fez espetáculo, nem nada em benefício próprio. É um exemplo a ser seguido. Meditemos sobre nossas intenções. Por que tanto esforço, tanta dedicação? A quê? Será que temos nos servido da Igreja por nossa glória pessoal? Ai de quando não nos convidam, não levam em consideração nossas sugestões!...

Se há uma oração que rezamos muitas vezes na vida é: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.”. Não basta só rezar é preciso viver isso. Mais do que palavras, nossas orações precisam ser vida em nossas vidas.

No silêncio oculto, Maria e José viveram. Jesus nunca procurou fazer milagres para se enaltecer, mas sempre para que cumprisse a vontade de Deus, o Pai.

É uma conversão fundamental na nossa vida, nos convertermos nas nossas intenções. A soberba, o orgulho e a vaidade morrem 24 horas depois que morremos. Será que não gostaríamos de estar com um olho e um ouvido aberto para ver quem foi no nosso funeral... ou que falaram de nós....?

Paremos de idolatrar o nosso eu. Um mandamento que confessamos muito pouco é o segundo mandamento. Será que temos dado toda glória a Deus?. Outro ponto: o ato mais grandioso que fazemos para dar glória a Deus é pela Missa. É o terceiro mandamento. Se soubermos viver estes três primeiros, saberemos viver todos os outros.
 
“Quer comais, quer bebais, façais tudo para a Glória de Deus.”; “A criação toda geme como em dores de parto, esperando a manifestação de Deus.” – dizia São Paulo.

 
 

4ª Meditação – O Amor Matrimonial

 

Começamos esta meditação pedindo a presença do Espírito Santo para que Ele inflamasse os nossos corações. Pensemos no papa. Cada qual tem a sua personalidade, seus carismas, sua história.

Gostaria de lembrar de um papa que foi canonizado recentemente: João Paulo II, o Papa da Família. No n. 17 da Familiaris Consortio: “A Missão da família é custodiar, revelar e comunicar o amor.” Usava estes três verbos: custodiar, revelar e comunicar. Custodiar, revelar e comunicar Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A família mostra a paternidade divina, a filiação divina e o amor divinos. O esposo e a esposa contemplam admirados ao cônjuge, os filhos, os irmãos. A glória das pessoas casadas é essa. O amor matrimonial é a forma dos filhos conhecerem o amor de Deus. O amor de Deus pelas pessoas precisa ser revelado no amor conjugal.

É interessantes que nos romances sempre se diz a expressão: “Viveram felizes para sempre.”.  Ora, só Deus é para sempre! A doutrina católica quando se refere ao céu, também usa a expressão “para sempre”. Os realistas, que na verdade são pessimistas, acha que isto não existe. Os idealistas acham que para sempre só é possível quando não se têm problemas. A vida matrimonial é a maior e a mais surpreendente aventura da vida. É o melhor serviço que se pode prestar à Igreja e ao Mundo. É como a amor de Deus que nunca se esgota, mas sempre se renova. É capaz de trazer o céu para a terra. Um cônjuge pode dizer ao outro: “O céu começa por você!”. O casamento é uma comunhão de pessoas a tal ponto que quase não se distingue quem é quem. Como a comunhão trinitária: Pai, Filho e Espírito Santo. Três pessoas, mas um só Deus. E os casados: duas pessoas, mas uma só carne. Essa fusão (termo usado por Bento XVI) da divindade com a humanidade – ao referir-se à Encarnação – e que pode ser empregado por analogia aqui também.

Um amor que foi surgindo aos poucos, sem sabermos porque ou como, mas por trás disso tudo estava Deus, preparando aquele homem e aquela mulher para serem reflexo do seu amor. Não bastava só natureza.... Era preciso mostrar mais intimamente a sua natureza divina. Era preciso unir um homem com uma mulher para que fossem custódios, reveladores e comunicadores da comunhão do amor da Santíssima Trindade.  Só podemos nos aproximar deste mistério vendo o amor matrimonial.

A mais eficaz evangelização que a Igreja faz com as famílias não é o que elas falam sobre o amor, mas como elas vivem o amor. Lembremos que Deus é amor. Na intimidade de Deus ninguém pensa em si mesmo.  Amar é pensar continuamente na pessoa amada. A verdadeira paixão é o motor do amor. Não confundamos paixão om obsessão. A paixão verdadeira não se importa consigo mesmo, mas só com o outro. É a loucura de Deus. Assim, o amor da Trindade “explode” na criação, e o amor do casal “explode” nos filhos pela doação total do esposo pela esposa e vice-versa.

O mundo precisa nos conhecer não pela nossa pregação, mas pela nossa comunhão. “Eu me doo e não penso em mim, porque não me pertenço mais.”. Talvez esse seja o grande medo egoísta que as pessoas tem: “Se eu não pensar em mim, quem vai pensar?...”. Mas o movimento é o oposto, se eu me esqueço de mim, o outro vai se lembrar de mim. “Amar não é ir juntos para a cama, mas é levantar-se juntos todos os dias e ir enfrentar a vida.”, disse uma vez o ator Henry Fonda. Jesus disse: “Quem quiser vir a mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga!”. Quando Jesus desceu à terra ele “se esqueceu do céu”, foi totalmente submisso às leis humanas: nasceu, cresceu, aprendeu, sofreu... Quantas vezes fomos visitar Jesus no sacrário hoje? E ele estava aqui nesta capela, esquecido. E não nos cobra nada, porque quem ama não cobra....

A família na sua unidade de amor, um cuida do outro e, ás vezes, se esquece de si mesmo para cuidar de outras famílias. Cada um de nós é imagem de Deus e os outros esperam de nós não o que material podemos dar, mas que doemos e revelemos a imagem deste Deus que mora em nós.

Quando se disse sim no dia do casamento, não era um sim para um contrato para um sim para me entregar como pessoa, entregarmos Deus que mora no mais íntimo de nós. Só assim “fechamos a porta dos fundos”. Alguns deixam uma festinha aberta para fugirem. Quem assume o compromisso do matrimônio só tem uma porta de entrada.

Quais seriam alguns esquecimentos próprios para a esposa? Ser aquela que custodia, revela e comunica a imagem de Deus é...

-  interessar-se mesmo pelo trabalho profissional do marido, pelos seus projetos e dificuldades profissionais.

- não falar só por falar. Silenciar antes na presença de Deus. Esquecer-se de si neste sentido.

- esquecer-se do cansaço, estar sempre colhedora, alegre e disposta.

- amar o marido mais do que os filhos, ou, pelo menos, como ama os filhos.

- não ser irônica, nem muito ciumenta.

- não ser amiga do marido, mas esposa.

-  não gastar com caprichos ou coisas supérfluas.

- não exagerar as dores e contrariedades diárias.

- cuidar-se para o marido e não para as amigas.

- amar a quem o marido ama e não ter ciúmes da sogra, porque ela é a mãe.


Para o esposo, esquecer-se de si e cultivar o amor é....

- prestar mais tenção aos trabalhos de casa, mais do que ao seu trabalho profissional ou os seus hobbies.

- fazer pelo menos o mesmo esforço que faz na profissão para crescer na atenção à esposa.

- querer a esposa mais do que qualquer outra pessoa do mundo.

- querer a mulher cada vez mais, mesmo quando ela perde as vantagens estéticas da juventude.

- não gastar tempo demais reclamando do cansaço do seu trabalho, mas interessar-se pelo trabalho dela, seja profissional ou da administração do lar.

- é usar a agenda e anotar as datas.

- é não ter vergonha de falar de si.

- falar muitas vezes que a ama.

- convencer-se que o melhor negócio é dedicar-se a ela.

- tomar decisões na vida em comum acordo.

- nunca deixar de usar aliança, um sinal para lembrar-se da pessoa amada.

 

E os dois, esposo e esposa, em conjunto? Esquecem-se de si mesmos...

- viver felizes para sempre se consegue também quando ambos se esquecem de si mesmos na hora da briga. É estar disposto, cada um, para reconhecer seus próprios erros e pedirem desculpas e nunca brigarem diante dos filhos, ou, se isso acontecer, fazerem a reconciliação também diante dos filhos. O amor matrimonial fundado em Deus não morre por causa das brigas, mas cresce por causa delas.

- que nenhum dos dois faça a ata da culpa.

- permitir que o outro desabafe.

 
Deus esqueceu-se de si, e só pensou e fez tudo por nós. Deus não se cansa de perdoar. Deus sempre se renova. A Santíssima Trindade continua se revelando no amor humano, do amor matrimonial. A poeta Adélia Prado disse recentemente que Deus é “Amante, Amado e Amor”. O amor conjugal não é só fusão de corpos, mas comunhão de pessoas. Ao colocarmos a aliança no dedo um do outro, por nossas palavras, pedimos que a Santíssima Trindade nos unisse. Vivamos diariamente este amor e comunhão.

 

5ª Meditação – A Santíssima Trindade

Tenho um livro que diz que a Trindade se apaixonou pelo homem e deseja vivamente habitar a nossa alma. E essa ação se perpetua na Eucaristia. Dela nasce para a Igreja e para toda humanidade esta graça. Nela atua toda Santíssima Trindade.

Não existem pessoas humanas perfeitas, mas as Pessoas da Santíssima Trindade o são. Ouvi certa vez que a parte mais bonita do amor é o sacrifício. O Pai mostrou todos o seu amor pedindo que o Filho, em cooperação com o Espírito santo, se sacrificasse por nós. Quem ainda não entendeu isso, não sabe o que é amor. Isso é real, Deus se sacrificou por não. Deus não poupou-se por mim. Ele veio ao mundo para mostrar esse amor por nós, que somos imperfeitos  e limitados, por nós que muitas vezes damos as costas para Deus e nos esquecemos dele. Não aproveitamos os momentos que temos para o ouvirmos para falarmos, para estarmos com Ele.

A celebração da Eucaristia – sacramento do mor—sua simples presença em cada Igreja, capela ou oratório, é uma declaração de amor. Deus grita, canta, fala, abraça, demonstra o quanto ele nos ama.

Há um gesto pequeno na Missa, antes de fazer o ofertório do vinho, quando ele coloca uma gota de água no cálice e reza em silêncio; “Pelo mistério desta água e deste vinho possamos participar da divindade do vosso filho que se dignou assumir nossa humanidade.”. Quando participamos verdadeiramente da missa deixamos esta corrente de amor atuar em nós.

A Igreja se constrói pela Eucaristia, assim como eu construo meus relacionamentos também por Ela. A Eucaristia e

- o sacramento do amor,

- fonte de unidade,

- penhor da vida eterna,

- passaporte para o céu

E quantas vezes deixamos esta graça passar....

Há um folheto que conheci falando sobre o burrinho que estava junto do presépio ou o que levou Jesus na sua entrada triunfal em Jerusalém. Nos compara a rudeza deste burrinho. E nós somos mais rudes para com o Senhor do que o burro para com os homens. Mas o Senhor sabe das nossas imperfeições. Ama-nos divinamente, mas nós devemos amá-lo humanamente, pelo menos, com as finuras e delicadezas que podemos realizar com nossa alma. Uma dessas delicadezas é nos prepararmos bem para a Missa. Certas pessoas se preparam tão bem para eventos humanos, que tem um valor tão relativo. Mas e eu? Como me preparo para este intenso momento de encontro de amor com a Trindade? Os sacerdotes recebem várias orientações de como se prepararem com várias orações (antes e depois da Missa também). Nós podemos ajudar o sacerdote também para isso, não importunando-o desnecessariamente. Cada um de nós também pode se preparar para chegar à Missa com o coração mais sensível a essa corrente triniária de amor. O que eu assisto é o sacrifício do Filho, oferecido em nosso nome pelo Pai, com a ação do Espírito Santo. Podemos nos preparar com orações, silêncio, pontualidade... É como num jogo de futebol: precisamos nos aquecer antes da partida, para julgá-la bem.

Nosso coração precisa ser, pelo menos, como a gruta de Belém. São José fez o que pode para tentar acomodar Maria e Jesus. Nos também precisamos fazer o que podemos. E o que podemos fazer? Prestar atenção às orações desde o início e assim estaremos humanamente correspondendo toda atenção que ele nos dá. Neste mesmo livro do burrinho, o autor conta que uma vez foi questionado por um mulçumano:

- Vocês, católicos, não acreditam que Jesus está na Eucaristia que fica no sacrário!

- Como não?! – Ofendeu-se ele.

- Se acreditassem de verdade, viveriam prostrados diante do tabernáculo!

Será que acreditamos de verdade na presença de Jesus na Eucaristia? Cremos que todo o Céu está presente quando se celebra o Santo Sacrifico da Missa? Ora, precisamos renovar muito a nossa fé na Eucaristia. É o  maior de todos os sacramentos, e ir à missa participando com mais fé , esperança e caridade é um propósito que podemos fazer. Será um intenso momento de carinho. Pois um amor que não demonstra carinho vai se esfriando. Não é verdade isso no amor conjugal? Assim, também no amor de Deus. Sem carinho o amor torna-se vulnerável. Deus também conta com os nossos carinhos humanos. Como todo carinho, são gestos pequenos, mas significativos. Carinhos que devemos ter com Deus na Missa. Abrir a Deus o nosso coração, lhe fazermos confidências, contando-lhe nossas alegrias, tristezas, dores, esperanças... Deus também se confidencia conosco pela sua Palavra. Retribuamos este gesto de confiança. Há uma poesia, que em um dos versos, diz: “Há quem contarei as minhas penas, se não a Ti, meu Amor?”. A quem mais posso abrir o meu coração?

Posso me preparar preservando o silêncio, sendo um testemunho para os outros de silêncio, pensando como me comportaria durante uma cerimônia com uma personalidade muito importante. Não atender o celular, não beber água... são pequenos gestos de amor e carinho.

E mesmo que reclama que Deus não ouve, que a graça que eu peço não vem... ora, quer graça maior do que a Eucaristia. Lembre-se de que a maior espera é a de Deus. Ele me espera há dois mil anos no sacrário, espera minha conversão, meu amor, meu carinho. E ele não reclama, continua amando. Quando o centro dos pensamentos, sentimentos e esperanças é a Eucaristia, que abundantes frutos Deus envia para esta pessoas e essa família.

 

 

2ª palestra – A AÇÃO ESTRATÉGICA DO LEIGO NO MEIO DO MUNDO

 

A estratégia da ação dos leigos no meio do mundo chama-se unidade de vida. Esse é o traço característicos da nossa vida. Um exemplo disso é a morte que nada mais é do que a desunião entre o corpo e alam. As patologias, as doenças, são reflexo da perda da unidade e do equilíbrio. Uma das piores doenças de conhecemos é o câncer, que, nada mais é do que um conjunto de células que se desunem da harmonia do restante do corpo e se multiplicam desordenadamente. Resumindo, então, unidade e vida; desunião é morte.

 

Para nós, que somos chamados a agirmos para o bem do mundo, esse é um tema muito forte, que não pode ser só uma palestra num retiro, mas precisa ser uma proposta de vida. O Concílio Vaticano II, na Constituição Gaudium et Spes (Alegria e Esperança), num dos seus parágrafos, lemos:

“O divórcio entre a fé e a vida diária de muitas pessoas deve ser considerado como um dos mais graves erros da nossa época.”. A dissociação entre o que vivemos e o que cremos é o maior mal da nossa época. E aqui temos nossa responsabilidade, para não cometermos este erro grave. Porque ser cristão, muito ais do que ser humano, é ser uma pessoa uma! Ser um só em todos os momentos da vida, sabe viver a unidade e ser princípio da unidade.

E das tentações mais frequentes que sofremos (e às vezes caímos), a pior é levarmos uma vida dupla: sermos uma pessoa na paróquia e outra em casa; uma pessoa em casa e outra no trabalho; uma no trabalho e outra no barzinho... Talvez se fossemos filmados secretamente 24h por dia e depois víssemos o filme da nossa vida, talvez não nos reconhecêssemos em muitos momentos. Quando estamos sozinhos agimos de um jeito, quando estamos na frente dos outros agimos totalmente diferente... Muitas vezes usamos a desculpa que este é o nosso modo de ser, mas na verdade, esse é o nosso modo de não ser. Deus nos criou únicos e unos: alma e corpo, matéria e espírito. Essa união é tão forte, que quando morremos a alma se separa do corpo, mas Deus, em seu poder, pode depois re-unir esses dois elementos na ressurreição. Somos coração e cabeça, temos vontade livre e inteligência, somos família, mas também fazemos parte da família que é a humanidade. Temos realidades concretas na nossa vida, mas vivemos também uma realidade transcendente. Vivemos no círculo de Deus, mas também nas coisas concretas do dia-a-dia. Há uma harmonia entre elementos oposto e até contraditórios. Temos nossas paixões, mas também temos nossa razão. Temos liberdade, mas também a graça de Deus.

E a missão da Igreja é uma só: dar uma formação para que tenhamos unidade de vida. Formar as pessoas para que sejam únicas e unas como é o desejo do projeto de Deus. O trabalho da Igreja é unir e jamais favorecer a desunião. E quantas vezes, até dentro de uma paróquia há desunião. E a culpa é de todos nós... A Igreja é UNA, Santa, Católica e Apostólica: o seu primeiro e principal traço é a unidade. As Igrejas que perderão esta unidade multiplicam-se e são totalmente diferentes umas das outras. Mas o papel da Igreja católica é promover a união em todos os âmbitos da sociedade. Ser católica é ser uma pessoa que cria unidade. A política, a mídia, nada de fora prejudica a Igreja; seu pior inimigo é a falta de unidade interna. E o pior inimigo de um católico é a falta da sua unidade de vida.

Com certeza, já lemos a oração comovente de Cristo na última Ceia (cf. Jo 17) em que Jesus reza exatamente pela nossa unidade.

Para criarmos unidade, precisamos ser unos. Precisamos ser pessoas que não vestimos uma máscara diferente conforme o ambiente. Preciso ter (1) unidade de objetivo, (2) unidade interior e (3) unidade de caminho.

 

(1)    O nosso objetivo bem determinado deve ser Deus, nos orientarmos sempre para o bem de todos, para o bem comum. O que destrói uma família e uma sociedade é o individualismo, que se orienta para si mesmo. Só contribuindo para o bem comum é que indiretamente receberemos o bem. E isso vale para todos os ambientes: a família, o trabalho, o condomínio, a paróquia... ou seja, devemos em tudo viver para Glória de Deus e não o nosso prazer pessoal. Para isso, precisamos fazer tudo por amor. Devemos em tudo nos perguntar: “Isso me leva a mar mais a Deus e as pessoas?” Se a resposta é “sim”, estamos acertando o alvo, o objetivo da nossa vida e seremos cada vez mais unificados e harmonizados. O egoísmos ao erigir o eu no objetivo absoluto da vida é incapaz de integrar e unir e aí começam as desagregações internas (dentro da própria pessoa) e externa (de nós mesmos com os outros). Onde está isso na Bíblia? Jesus ao encontrar um endemoniado de Gerasa, pergunta: “Qual é o seu nome? – Legião.”. O demônio é a imagem da desunião e da esquizofrenia. O egoísmo faz a gente ser Legião, no sentido até militar da palavra, que é como um exército que traz morte e destruição. Jesus deixa muito claro que não podemos servir a dois senhores. O amor deve ser sempre o nosso único objetivo, o amor verdadeiro que busca o bem de todos, em detrimento, muitas vezes do meu próprio. Como Deus faz: Ele só trabalha para o nosso bem.

(2)    Não só o que eu faço, mas o que eu sou deve expressar a unidade. Quem eu sou? Uma criatura de Deus, criada a sua imagem, com sua liberdade, que participa da sua inteligência. Mas não é só isso. Pela graça de Deus e pela ação do Espírito Santo, pelo meu batismo, eu sou filho de Deus, resgatado por este novo nascimento. Muita gente quer justificar-se “Ah, mas eu sou humano...”, sim mas fui elevado e fortalecido pela graça! Eu participo da humanidade, mas também da divindade. Eu nasci humano, mas o batismo me fez ser Filho de Deus. É preciso esta unidade que falta, às vezes, quando confundimos uma questão humana, com uma questão divina. Uns dizem: “Perdi a fé.”. Não. A fé é um dom de Deus, é ele quem nos dá. Mesmo que seja meio incipiente e destorcida, ela pode ser cultivada por atos bem humanos: rezando, lendo a Palavra, procurando o bem... A integração pessoal e interior entre a nossa vocação de cristãos e as nossas outras vocações secundárias é algo que se vive todas as horas da nossa vida. A unidade interior nos faz, por exemplo, ficar alegres até quando perdemos um ente querido, porque sabemos que a morte não é a última palavra. Não somos um mosaico, mas um tecido uno. Jesus dizia: “Guardai-vos do fermento do fariseus.”, que é a hipocrisia. A palavra “hipocrisia” em grego era a máscara utilizada no teatro grego para que os atores representassem personagens, ou seja, pessoas que eles não eram. Temos que ser cristãos em todos os ambientes. O que não pode ser vivida por uma pessoa boa, não pode se vivida por um cristão.

(3)    No início da Igreja não havia organização formal. Depois de Pentecostes ela foi crescendo grandemente. No início eles eram chamados de “os seguidores do caminho”, porque Jesus se identificou como o Caminho. A grande estratégia que nós temos é vivermos a unidade na rota. Ao contrário das outras duas mencionadas, que são bem íntimas, essa unidade é bem visível. Se um pianista, mesmo que seja bom, se parar de ensaiar e começar a erra, o público vai perceber a diferença. Quando eu procuro ser heroico ou medíocre nas minhas virtudes, as pessoas percebem. A fé, a esperança e a caridade devem estar unidade com a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. E às virtudes cardeais tem várias outras que lhes são anexas e que vão tecendo essa harmonia de virtudes. Vêm juntas a sinceridade, a veracidade... mas com falta de virtudes, este “tecido” se esgarça, se rasga.... vem a desunião. Começamos a criar rotas paralelas quando começamos a ser concessivos: “Não vamos ser tão radicais...”. Não é preciso ser fanático mas ser coerente. Sermos normais, ou seja, unos! O cardeal Albino Lucianni (Papa João Paulo I) escrevia cartas no Jornalzinho de Veneza de onde era bispo. Numa dessas cartas conta de um professor universitário de Bologna viajou a convite do Ministro da educação e foi convidado para passar a noite. Ele respondeu que não poderia porque teria aula de manhã. O Ministro respondeu: “Mas eu sou o Ministro da Educação, eu te dispenso!”. Ao que o professor respondeu: “Mas eu não me dispenso, porque meus alunos estão esperando por mim.”.

 

A unidade é a estratégia da santidade da Igreja. A vida das pessoas santas é uma vida uma. Falávamos, desde já o primeiro dia, de Chiara Luce. Foi a mesma antes e depois da sua doença. A doença não a desequilibrou. O pai conta que ao ver a filha sem poder andar, com muitas dores, careca e emagrecendo muito. Mas ela sempre sorria. O pai achava que era para agradar os outros, e começou a espiá-la pelo buraco da fechadura. E constatou sua unidade: mesmo sem ninguém por perto, continuava a sorrir.

Hoje vimos um mistério de unidade: três Pessoas que não um só Deus! É mistério de vida e comunhão. Que saiamos deste retiro com est propósito de vida, se sermos um!

 

 

6ª Meditação  - A Força da Beleza de Deus

 

Consideremos uma força de Deus que consideramos pouco: a beleza de Deus. João Paulo II, quando já estava bem doente e debilitada afirmou: “A beleza de Deus vai converter o mundo. ”Não só a beleza da música, pintura, arquitetura. Não.  Nossa família precisa ser bela, bonita. Nossas virtudes poderiam ser apresentadas  de forma bela. A Verdade pode ser bonita. Não precisa ser dura, áspera, nem agressiva. A beleza é a forma como Deus apresenta o seu amor, sua onipotência, sua bondade. Tudo o que se faz por amor reflete a formosura divina. Construir uma sociedade, uma família alicerçada na beleza é fazer com que o amor seja percebido e correspondido. Aí também entra a unidade de Deus: amor, misericórdia, onipotência, beleza. De qualquer ângulo de que contemplarmos a beleza de Deus vemos todas as suas qualidades. É preciso que nós nos convençamos disso, não do ponto de vista estético, mas ético: precisamos ser pessoas mais belas.

Precisamos sair daqui com este propósito: tornar nossa vida em família mais bonita! Ludowic, um monarca russo, que estava prestes a se converter ao Cristianismo, mandou enviados para irem a uma Missa na catedral de Santa Sofia para verem se Deus realmente estava lá. Eles descreveram a experiência dizendo que vendo os ícones, as velas e os incensos não sabiam distinguir se estavam no Céu ou na terra, mas tinham certeza de que Deus estava lá. A beleza vai converter o mundo. Como mostramos a verdade pela beleza de Deus?

Se vivermos bem a nossa vocação, se formos entusiastas em nossos trabalhos diversos. O “entusiasmo” significa ter Deus em si mesmo. Por isso, devemos viver entusiasmados. Não podemos ser pessoas que confessam sua fé e manifestam sua esperança com “cara de segunda-feira”. Não podemos ser cristãos que “arrastam os pés”, num cristianismo pessimista. “Será que vai dar certo? Será que o padre vai concordar? Será que as pessoas vão ajudar?”. Falta entusiasmo! Eu tenho Deus dentro de mim. Eu percebi a grandeza, a extensão e a profundidade da minha vida n’Ele.

Lembrem da JMJ no Rio em que nem o frio, nem a distância, nem a chuva impediram os jovens de se reunirem. Até pessoas de outras religiões forma contagiadas! O papa já é um senhor de idade, mas está sempre entusiasmado e vibrando. Poucas semanas após ser ordenado Papa, Dom Orani foi convidá-lo pessoalmente. Francisco afirmou: “Eu estou muito contente em ser Papa!” Isso é entusiasmo! E, ás vezes, nos incomodamos com o “espirro da minhoca”. Deus acredita no homem, Deus acredita na Igreja, Deus se entusiasma conosco. Jesus motivava os apóstolos a lançarem as redes e os convencia a irem para águas mais profundas. “Dai-lhes vos mesmo de comer a multidão....”, e Jesus faz o milagre: “Temos cinco pães e dois peixes, mas... (e aí vem o desânimo) o que é isso para tanta gente?...”. Ou com os discípulos de Emaús decepcionados com a morte de Jesus, que lhes aparece ressuscitado e com seu entusiasmo ao explicar as escrituras lhes inflama o coração.

O mundo seria bem diferente se nós, cristãos, fossemos contemplativos-entusiastas! Veríamos beleza até no que os outros dizem que são problemas ou desafios. São as sombras que deixam em evidência a luz de uma pintura. É a nossa humanidade que faz revelar mais fortemente a força da divindade. Até as contrariedades fazem parte da providência divina para que possamos no santificar e glorifica-Lo.

Dr. Eduardo Ortiz está me processo de beatificação. Espanhol, largou tudo para na década de 60 fundar uma faculdade que tivesse como projeto colocar em primeiro lugar as famílias dos alunos e depois os alunos. Um colega lhe perguntou o que ele preferiria: ser santo ou ganhar o prêmio Nobel de Medicina. Ele respondeu que as duas coisas não eram incompatíveis. “Preciso me esforçar para ser santo, como me esforçaria pelo Nobel.”. isso é unidade de vida. Isso é entusiasmo pela santidade!

Sobre a Copa do mundo o papa disse: “Não é só no futebol que ser ‘fominha’ constitui um obstáculo para o bom resultado do time; pois, quando somos ‘fominhas’

Charles Chaplin tem um discurso com as seguintes palavras: “Mais do que máquinas precisamos de humanidade.

 Mais do que inteligência precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes a vida será de violência e tudo estará perdido.”

Nossas famílias precisam ser mais belas, para que os outros digam: “Pelo seu comportamento, vejo que é de boa família.”. A beleza procede das boas maneiras. Não é mera etiqueta. Quando há amor, quando se busca agradar a Deus e o bem do outro, afinamos nossa lama e há delicadeza nos gestos. É mais do que cortesia e diplomacia. É um transbordamento da ternura de Deus. E preciso viver isso em família.

Cada família tem um tesouro escondido. E a Pastoral Familiar também tem esse objetivo. Precisamos vender tudo o que temos para comprar este campo (cf. Mt. 13). É preciso ter pressa ao sair do trabalho para voltar para casa. Precisamos cultivar mais a afabilidade nos relacionamentos. Podemos ser mais delicados: Deus nos quer fazendo a revolução da ternura, disse o Papa Francisco. Cultivar mais a compreensão, nas palavras e nas atitudes, por piores que sejam os problemas. “Ninguém te condenou? Nem eu te condeno... vai em paz!” (cf. Jo 8). Fazer o outro sentir-se acolhido. Como é bom saber que na minha família há pessoas que me escutam. Como é bom saber que alguém não se importa em perder tempo comigo! O que, na verdade, nunca é perda de tempo, mas um grande investimento. Ser delicado para não impor gostos ou vontades, mas propor na hora das decisões. Saber calar-se para ouvir o outro... são tipos de atitudes que atraem e contagiam! São coisas pequenas, mas foi exatamente com elas que Deus criou o mundo: milhões de grãos de areia, milhões de gotas de água, milhões de células...

Jesus se incomoda com a falta de delicadeza de Simão, em Lc 7, 44-47: “Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés. Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor.”

A força da beleza deve ser a força da nossa evangelização. A Igreja é portadora e custódia da Verdade, não pode conceder ou ser permissiva naquilo que é o verdadeiro bem para a sociedade. A Igreja não quer apenas inspiradora da beleza como foi no passado, mas quer ser ela também (cada um de nós, que somos Igreja) agentes da beleza.

Que saiamos deste retiro, não dizendo: ”Que bonitas meditações!”, mas sim: “Como quero fazer minha família mais bonita, depois destas meditações.”.

 

 

Um comentário:

Claudio Maris Ferreira disse...

Agradeço a organização da Comissão Arquidiocesana da Pastoral Familiar por este retiro. Agradeço a Dom Antonio Augusto, que iluminado pelo Espírito Santo, dos proferiu as palavras de Deus com tanta sabedoria, amor e fé. Venho para casa revigorado e com as baterias recarregadas de amor, fé, esperança e me sentindo cada vez mais o Templo de Deus.